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Mostrando postagens de 2007

Réveillon e Ano-Novo

De onde veio e como usamos a palavra Réveillon? O que ela significa? O correto é Ano Novo ou Ano-Novo? Dia 1º de janeiro ou dia 1 de janeiro? Vamos às respostas.

1. Réveillon
O substantivo masculino Réveillon veio do francês e tem três significados de acordo com o dicionário “Houaiss”: ceia da noite de Ano-Novo; festejos que costumam acompanhar a ceia e a passagem do ano; e véspera de Ano-Novo. Geralmente a palavra é escrita com inicial maiúscula.

2. Ano-Novo
Para se referir ao ano entrante, à festa e ao momento da passagem do ano, escrevemos Ano-Novo (com plural: Anos-Novos). O hífen marca a união de duas palavras que, juntas, formam outra com sentido independente. Também é costume escrever as iniciais com letra maiúscula.

3. Dia 1º ou dia 1?
A primeira forma é a única correta. A norma oficial para escrever a data em algarismos é 1º de janeiro, por se tratar do primeiro dia do mês, e não 1 ou 01. A propósito, Feliz 2008!

Natal

Chegou o Natal. E esta coluna de língua portuguesa não poderia deixar de contar como essa palavra tão lida, escrita e dita chegou à nossa língua e em que contextos é usada.
Natal é uma palavra de origem latina. Em latim, havia a expressão “dies natalis” ou “natalis”, que significava o dia de nascimento de alguém. A forma reduzida “natalis” passou por uma mudança fonética (de som) ao longo do tempo e chegou à língua portuguesa como natal.
Os dicionários a registram como adjetivo e como substantivo.
1. Como adjetivo, natal é o que é relativo ao nascimento (terra natal).
2. Como substantivo, significa o dia do nascimento ou um cântico natalino de origem medieval.
Escrito com letra maiúscula, Natal refere-se à festa do nascimento de Jesus, celebrada no dia 25 de dezembro pela Igreja Católica.
A palavra natal (com minúscula) deu origem a pré-natal, pós-natal, neonatal e natalício. Já Natal (com maiúscula) originou o adjetivo natalino, que significa o que é relativo ao Natal. Falando nisso, Feliz…

Braço direito ou braço-direito?

A primeira forma é a correta. Essa locução e não tem hífen. Ela se refere ao principal e eficaz auxiliar de alguém. Ex.: Aquele assessor é o braço direito do vereador. Um sinônimo é braço forte, que significa, além de braço direito, pessoa valente e decidida. Outra locução sem hífen é saia justa, aquela situação que, vez ou outra, acontece a alguém.

Acessor ou assessor?

A segunda forma é a correta. Assessor é aquele que ajuda, auxilia, assiste (presta assistência, assessora). Segundo o “Houaiss”, o assessor exerce uma atividade ou cargo para ajudar alguém em suas funções. Também pode ser “especialista em determinado assunto que auxilia alguém em cargo de decisão com subsídios da área de sua especialidade”. Repare nas grafias: assessor, assessoria, assessorar, acesso, acessório e acessar.

Cantor-mirim ou cantor mirim?

A segunda forma é a correta. Mirim é adjetivo quando se refere a: 1) de tamanho reduzido, pequeno; 2) que ainda é criança, infantil; 3) de criança, destinado às crianças; e 4) do futebol, referindo-se à categoria de jogadores na faixa de 14 anos. Nesses casos, é escrito sem hífen. Exemplos: lagoa mirim, cacique mirim, clube mirim, repórter mirim.

Rubrica ou rúbrica?

A primeira forma é a correta. Rubrica é uma palavra paroxítona, isto é, a penúltima sílaba é a tônica – nesse caso, -bri-. A pronúncia deve seguir o mesmo caminho, com ênfase na sílaba do meio. Esta, no entanto, não é a única palavra que é confundida pelos falantes da língua portuguesa. Pudico (e não púdico) é outra palavra que é paroxítona, mas que às vezes é escrita e falada como proparoxítona.

Prol ou pról?

A primeira forma é a correta. Prol, mais usado na locução “em prol de” – com o sentido de “em favor de” –, não entra nas regras de acentuação das oxítonas, que recebem acento quando terminam em “a”, “e” e “o” seguidos ou não de “s”. Exemplos: cajá, ananás, pé, pajés, pó, sós, dendê, freguês, metrô e propôs. Rol é outra palavra que não recebe acento.

Vales-transporte ou vales-transportes?

As duas formas são corretas. O plural pode ser feito nas duas partes ou somente na primeira. Os dois tipos de plural podem ser aplicados a outras palavras compostas que têm “vale” antes do hífen, com o mesmo sentido. Exemplos: vale-alimentação, vale-brinde, vale-compras, vale-refeição. No caso de gentílicos, vale não tem plural. Exemplo: o plural de vale-paraibano é vale-paraibanos.

A granel ou à granel?

A primeira forma é a correta. Não há crase nessa locução porque granel é um substantivo masculino. A locução “a granel” significa “sem qualquer embalagem ou acondicionamento”. Diz-se também de mercadoria vendida sem embalagem, em quantidades fracionárias. No sentido figurado, refere-se a algo em grande quantidade, a rodo.

Madeichas ou madeixas?

A segunda forma é a correta. Para sabermos a grafia certa, só consultando o dicionário. O “Houaiss” explica que madeixa vem do latim “matáxa, ae” e refere-se a “fio ou corda de tecer, em estado bruto”. Significa: feixe de cabelos da cabeça, encaracolados ou trançados; mecha; pequena meada; porção de lã, algodão, linho ou seda, a qual, passada à dobadoura, se pode reduzir a novelos.

Hesitar ou exitar?

Hesitar é a forma correta quando o verbo significa: demonstrar dúvida; não estar ou não se mostrar seguro; duvidar; vacilar; gaguejar; titubear. Já exitar é o mesmo que ter bom êxito, bom sucesso, resultado satisfatório. Hesitar e exitar têm significados bem diferentes. Lembre-se disso para não hesitar ao escrevê-los.

Pró-ativo ou proativo?

A segunda forma é a correta. Proativo, um adjetivo, veio de “proactive”, do inglês, como explica o dicionário “Houaiss”. A professora Maria Tereza Piacentini faz uma definição precisa do que é ser proativo: “algo ou alguém que antecipa futuros problemas, necessidades ou mudanças, que seja capaz de mudar eventos em vez de reagir a eles, fazendo com que as coisas aconteçam; é ser ágil e competente”.

Antivéspera ou antevéspera?

A segunda forma é a correta. A diferença entre uma forma e outra está no prefixo da palavra “véspera”, que é o dia que imediatamente antecede aquele de que se trata. Antevéspera é o dia anterior à véspera. O prefixo “ante-” significa “antes de”. Já o prefixo “anti-”, que indica oposição, sentido contrário, não faz sentido na junção com “véspera”.

Bereba ou pereba?

As duas formas constam nos dicionários. Do tupi “pe'rewa”, que significa ferida, machucado, em português, pereba designa vários tipos de lesão de pele. Bereba é uma das variações; outras são pereva e bereva. Um uso informal de pereba é para o indivíduo que exerce a profissão de maneira medíocre, especialmente no futebol. Outro uso, por extensão de sentido, é para pessoa medíocre, sem expressão.

Puxão de orelha

O BOM DIA escorregou no português e o leitor puxou a orelha com razão.
Todos nós gostaríamos de ser isentos de erro, mas temos consciência de que somos falíveis. Não é por isso que vamos deixar de ler e reler várias vezes nossos textos à caça de erros.
Ler, reler e reler faz parte da escrita, ops, fazem.
A frase da merecida bronca foi: “E se os supermercados não darem sacolas?”. Darem? Não. Derem.
O tempo verbal dessa frase é o futuro do subjuntivo, que marca a eventualidade do futuro, o que pode ou não acontecer.
Ele é usado sobretudo em orações subordinadas adverbiais condicionais e temporais, neste caso com as conjunções “se” e “quando”.
O verbo “dar” na 3ª pessoa do plural do futuro do subjuntivo é “derem” – se eles derem. A pergunta que o BOM DIA deveria ter feito é: “E se os supermercados não derem sacolas?”.

‘Hora’ e ‘ora’

“Hora” é substantivo feminino e, de acordo com o dicionário “Houaiss”, significa: o segmento de tempo equivalente a 60 minutos; o momento, o instante preciso em que se percebe ou se passa algo; o tempo, mais ou menos preciso, que se dedica habitualmente a determinada função ou atividade. Exemplos: o exame durou uma hora; percebi na hora que era ele; está na hora de ir.
Já “ora” pode ser advérbio, conjunção ou interjeição.
Como advérbio, tem o sentido de agora, nesta ocasião, neste momento. Ex.: o programa, ora em funcionamento, foi feito por mim.
Como conjunção, significa “seqüência de discurso ou transição de pensamento” e “pois bem, entretanto”. Ex.: se quisesse o doce, pediria, ora, se não pediu, não quer. “Ora” ainda pode ser empregado repetido no início de duas frases, com valor alternativo. Ex.: ora comia, ora bebia.
Já como interjeição exprime impaciência, espanto, dúvida e/ou menosprezo. Ex.: ora, não me incomode mais com esse assunto!

“Agosto” ou “a gosto”?

Cada um é correto em um contexto. “Agosto” é o oitavo mês do ano civil nos calendários juliano e gregoriano. Já a locução “a gosto” tem três significados: 1) sem cerimônia, à vontade (ex.: fique a gosto); 2) de acordo com o gosto de cada um (ex.: naquela receita, o açúcar é a gosto); e 3) de propósito, intencionalmente, o mesmo que “de gosto”.

“Nenhum” ou “nem um”?

Cada um é correto em um contexto. O pronome indefinido “nenhum” corresponde a “algum” quando posposto ao substantivo. Exemplos: Este trabalho não tem nenhum valor (não tem valor algum); Não tenho nenhuma pressa (não tenho pressa alguma). Já a expressão “nem um” equivale a “um só”, “sequer um”. Exemplo: Não me deram nem um centavo a mais. O “um” é numeral.

Mais bem feito

Oposição básica que aprendemos na escola: bem é antônimo de mal e bom, de mau.
Também fomos ensinados que devemos escrever “melhor” em vez de “mais bem” e “mais bom”. O mesmo vale para “mais mal” e “mais mau”, que vira “pior”. Exemplos: Fui bem na prova de matemática, mas meu irmão foi melhor. Já no teste de português ele foi pior.
Sabendo como chegamos nas palavras “melhor” e “pior”, temos consciência de que não devemos escrever “mais melhor” e “mais pior”. Até aqui tudo bem. Agora, e os casos em que lemos “mais bem feito”, por exemplo? Seria erro? Nem sempre.
Diz a regra que, quando os advérbios “bem” e “mal” vêm antes de um particípio, eles não se contraem com o “mais” que os antecede. Temos, assim, “trabalho mais bem feito”, “peças mais bem colocadas”.
No entanto, hoje já se admite o uso de “melhor” em construções como essas. Ex.: O time melhor colocado recebeu elogios.
Para fazer a melhor escolha, use o ouvido e o bom senso.

Níver e químio

Algumas palavras da língua portuguesa sofreram redução ao longo do tempo.
Um caso clássico é pneu, redução de pneumático. Pneu consta no dicionário como sinônimo de pneumático e, aqui no Brasil, também dá nome àquela gordura excessiva que se localiza na cintura.
Duas palavrinhas – níver e químio – podem estar no mesmo caminho de pneu, mas ainda nos primeiros passos: amplo uso na fala, mas ainda não registrado pela norma culta.
É fato que níver, redução de aniversário, e químio, redução de quimioterapia, estão na fala dos brasileiros, e já vão um pouco além.

1. Uso
Em blogs, níver é comum como qualquer outra palavra. Químio, apesar de ter uso mais restrito por ser um termo “técnico”, já pode ser lida em textos da imprensa.
2. Ortografia
Níver, palavra paroxítona terminada em “r”, como mártir e revólver, recebe acento na sílaba tônica. Químio, de separação silábica quí-mi-o, tem acento por ser proparoxítona.

Paralelismo

Recentemente, foi publicado o seguinte título em uma matéria do BOM DIA:
“Preparo profissional e estimular senso crítico são metas”
Falta a ela paralelismo. A simetria no emprego de palavras e estruturas gramaticais garante o paralelismo.
Ele pode estar no uso do artigo. Se escrevemos uma seqüência de palavras, ou colocamos artigo em todas ou em nenhuma. Exemplos: “comi salada e carne”, “comi a salada e a carne”. A falta de paralelismo está em “comi salada e a carne”.
Essa regrinha de ouro também se aplica a vários momentos do texto, como nos casos de regência verbal.
Vamos analisar a falta de paralelismo do título citado anteriormente.
Dois itens são metas: preparo profissional e estimular senso crítico. O primeiro é o preparo, substantivo; o outro, estimular, verbo. Para adequar o título, há duas possibilidades: dois substantivos ou dois verbos. “Preparo profissional e estimulação/estímulo do senso crítico são metas” ou “Preparar para profissão e estimular senso crítico são metas”.

Expressões

Recentemente, foi publicada a seguinte frase em uma matéria do BOM DIA:
“As ferramentas usadas pela empresa para motivar os funcionários vão de encontro com a necessidade da companhia de crescer.”
O texto informa que as ferramentas usadas vão contra a necessidade da companhia. No entanto, não era isso o que o repórter queria dizer.

Os significados das expressões “de encontro a” e “ao encontro de” são opostos. Vamos ver quais são essas diferenças:
1. “De encontro a” indica idéia de oposição. Tem o significado de sentido oposto. Assim, se o carro foi de encontro ao muro, não há dúvidas de que ele se chocou com o muro.

2. “Ao encontro de” indica idéia de aproximação. Significa “em procura de”, “no esforço por”. Esta é a locução certa para a frase que saiu no BOM DIA. A sentença corrigida fica assim: “As ferramentas usadas pela empresa para motivar os funcionários vão ao encontro da necessidade da companhia de crescer”.

‘Idéia de girico’ ou ‘idéia de jerico’?

A segunda forma é a correta. Apesar de não se aproximar tanto da fala como “girico”, palavra inexistente na língua portuguesa, jerico significa asno, jumento. No entanto, na fala é usada principalmente com o sentido de tolo, imbecil, estúpido – e pode ser dito a pessoas e coisas. Exemplo: “Ele sempre tem idéias de jerico”.

Que ele ‘apazigúe’ ou ‘apazígüe’?

A primeira forma é a correta. O verbo apaziguar, assim como os verbos averiguar e obliquar, recebe acento agudo no “u” quando conjugados no presente do subjuntivo na primeira e segunda pessoas do singular e na terceira do singular e do plural. Exemplo: “Esperamos que o juiz apazigúe rapidamente a confusão que virou esse fim de jogo”. Em tempo: apaziguar significa acalmar, pacificar, harmonizar.

Vírgula polêmica

Na quarta-feira, dia 5, o BOM DIA lançou a coluna “Quem sabe, sabe”.
Foi uma das duas estréias diárias dentro das comemorações de aniversário do jornal.
Antes de liberar a página para a gráfica, surgiu uma questão crucial: é com ou sem vírgula?
A discussão levou mais de meia hora porque a pergunta tem duas respostas: pode ser com vírgula ou sem ela.
A vírgula venceu. Veja o porquê:
1. Quem sabe sabe – a regra
A regra é clara e simples: sujeito e predicado não podem ser separados por vírgula. Sujeito: quem sabe. Verbo: sabe. Então, é correto dizer “quem sabe sabe”.
2. Quem sabe, sabe – a “exceção”
Em frases iniciadas pelo pronome “quem”, é permitido usar a vírgula entre sujeito e verbo por uma questão de clareza quando aparecerem dois verbos juntos ou muito próximos. No caso da coluna, é o mesmo verbo (“sabe”), por isso a opção pela clareza com a vírgula.

‘Tinha chegado’ ou ‘tinha chego’?

A forma “tinha chegado” é a correta. O verbo chegar tem somente um particípio, o regular, que é “chegado”. “Chego” é a conjugação do verbo chegar na primeira pessoa do singular no tempo presente (eu chego). Assim, dizemos e escrevemos que as pessoas tinham chegado bem cedo ao estádio para garantir os ingressos do jogo.

‘Daqui a um mês’ ou ‘daqui há um mês’?

“Daqui a um mês” é a forma correta. É comum a confusão do “a” com o “há”. A preposição “a” expressa a noção de tempo futuro (ex.: a loja será inaugurada daqui a dois dias). Já o verbo haver flexionado na forma “há” indica tempo passado (ex.: ele caiu há dois dias). Dica: o “há” pode ser substituído por “faz” (ele caiu faz dois dias), mas o mesmo não é possível com a preposição “a” (*daqui faz um mês).

Casos de homonímia (11)

1. Xá e Chá
“Xá” é um substantivo masculino que veio do persa “xah”, denominação atribuída a uma série de monarcas iranianos que antecederam a revolução islâmica de 1979. O título de xá também foi dado a soberanos de outros reinos do Oriente muçulmano. E “chá”, também substantivo masculino, é a infusão preparada com ervas.
2. Traz e trás
“Traz” é forma flexionada do verbo “trazer” na terceira pessoa do singular no tempo presente. Exemplo: ele traz flores toda vez que a visita. Já “trás” tem o sentido de atrás, na parte posterior, detrás, após, depois de. Exemplo: de trás para frente e de frente para trás.

Casos de homonímia (10)

1. Seção, Sessão e Cessão
Usamos “seção” para nos referir à divisão de capítulos de uma obra, divisão de serviços públicos ou privados ou à divisão do interior de um estabelecimento comercial que tem funções diferentes das outras. “Sessão” é o espaço de tempo em que um espetáculo cinematográfico, teatral etc. é apresentado ou período em que uma assembléia, um congresso, um corpo deliberativo ou consultivo se mantém em reunião. Já “cessão” é o substantivo da mesma raiz do verbo “ceder”.
2. Nós e Noz
“Nós” é um pronome do caso reto de primeira pessoa do plural. Já “noz” é o fruto da nogueira, típico da ceia das festas natalinas.

Casos de homonímia (9)

1. Ruço e Russo
“Ruço” é um adjetivo que significa com cabelos e/ou pêlos grisalhos (“Aos 20 anos já estava ruço”). Também tem o sentido de esmaecido pelo uso, surrado, velho e de complicado, perigoso (“a situação ficou ruça”). Já “russo” refere-se ao que é natural ou habitante da Rússia.
2. Era e Hera
“Era” significa, de acordo com o “Houaiss”, “período de tempo que serve de base a um sistema cronológico e que se inicia por uma data memorável” (“era cristã”, “era Vargas”). Já “hera” é uma planta trepadeira usada para o revestimento de muros e paredes (“hera-de-folha-larga”, “hera-européia”).

Veja a continuação: Casos de homonímia (10), o último.

Casos de homonímia (8)

1. Viagem e Viajem
“Viagem” é um substantivo, cuja raiz é a mesma do verbo viajar, porém é escrito com “g”. Já a a palavra “viajem” existe, mas é a forma do verbo “viajar” conjugado na terceira pessoa do plural do tempo presente do subjuntivo (“que eles viajem”) ou na mesma pessoa no modo imperativo (“viajem vocês”).
2. Sela e Cela
“Sela” é uma peça de couro que se coloca sobre o lombo da cavalgadura, sobre a qual senta o cavaleiro. “Cela”, conforme definição do “Houaiss” é um diminuto quarto de dormir, que pode ser o aposento de um religioso ou compartimento de prisioneiro(s), etc. Também pode ser qualquer cômodo de reduzidas dimensões.

Veja a continuação: Casos de homonímia (9).

Casos de homonímia (7)

1. Senso e Censo
“Senso” significa juízo, entendimento, sentido, prudência, a qualidade do que é sensato. Também é a faculdade de julgar, de sentir, de apreciar (“senso de humor”, “senso de justiça”). Já “censo” é, de acordo com o “Houaiss”, o mesmo que rendimento tributável, embora seja amplamente usado com o sentido de censo demográfico.
2. Taxar e Tachar
“Taxar” é o mesmo que cobrar um tributo ou um imposto sobre algo (“O Brasil taxa a importação de carros importados”). Também pode significar fixar um preço; regular, impor limites. Já “tachar” tem o sentido de desaprovar, censurar, criticar, apontar defeitos e qualificar.

Veja a continuação: Casos de homonímia (8).

Casos de homonímia (6)

1. Expectador e Espectador
"Expectador" é aquele que permanece na expectativa, conforme define o "Houaiss". Já "espectador" é aquele que assiste a um espetáculo; aquele que presencia um fato; uma testemunha, alguém presente; aquele que observa ou examina. Para não confundir a grafia das duas palavras, basta pensar que quem assiste a um espetáculo é um espectador e quem tem expectativa é um expectador.
2. Houve e Ouve
"Houve" é a forma do verbo "haver" conjugada na terceira pessoa do singular no tempo pretérito perfeito. A palavra "ouve" é a forma do verbo "ouvir" conjugada na terceira pessoa do singular do tempo presente.

Veja a continuação: Casos de homonímia (7).

Casos de homonímia (5)

1. Espiar e Expiar
“Espiar” é observar secretamente, olhar às escondidas, espreitar (“Grupo vai espiar cidades para implantar câmeras”). Também pode significar olhar, dar uma espiadela (“Gosta de ficar à janela espiando as pessoas que passam na rua”). Já “expiar” tem o sentido de sofrer as conseqüências de algo, remir(-se), tornar(-se) puro (“Expia, na pobreza, a vida dissipada de outrora”).
2. Intercessão e Interseção
“Intercessão” é o ato de interceder, é a intervenção (“A intercessão dele na briga foi para evitar uma tragédia”). Já “interseção”, ou intersecção, significa cruzamento, o encontro de duas linhas ou dois planos que se cortam; o ponto desse encontro.

Veja a continuação: Casos de homonímia (6).

Casos de homonímia (4)

1. Apreçar e Apressar
“Apreçar”, além de significar apreciar, ter apreço por algo ou alguém, conferir grande valor a, tem o sentido de perguntar, discutir ou ajustar o preço de algo. Já “apressar” é o mesmo que acelerar o ritmo, antecipar, abreviar, fazer com que algo se realize ou ocorra mais cedo.
2. Conserto e Concerto
“Conserto” significa restauração ou recomposição de algo rasgado, deteriorado, quebrado etc. Também pode ser a reforma do que está malfeito ou precisa de ajuste; emenda. Já “concerto” é o mesmo que audição, recital, consonância de vozes e/ou de sons. Também significa combinação, acordo entre pessoas ou entidades em vista de um objetivo.

Veja a continuação: Casos de homonímia (5).

Casos de homonímia (3)

1. Acessório e Assessório
“Acessório” é o que se junta ao principal, adicional, anexo. Por extensão de sentido, significa aquilo que tem importância menor, secundário, dispensável. No campo semântico da gramática, acessório é o termo que se liga a um nome ou a um verbo a fim de precisar-lhes o sentido. Já “assessório” é o que é referente ou pertencente a assessor; que é da alçada do assessor.
2. Cerrar e Serrar
“Cerrar” é unir duas ou mais partes, inibindo a passagem de ar, luz, pessoa, etc. Também tem o sentido de obstruir. Já “serrar” significa cortar com serra ou serrote ou, no uso informal, significa conseguir algo de graça, usando certa habilidade.

Veja a continuação: Casos de homonímia (4).

Casos de homonímia (2)

1. Acento e Assento
“Acento” é um substantivo que significa destaque, relevo, realce que uma sílaba ou palavra têm em comparação a outras (acento tônico). É o sinal gráfico que indica como deve ser pronunciada uma vogal quanto à tonicidade ou quanto ao timbre. Já “assento” refere-se primeiramente à superfície sobre a qual se senta.
2. Cheque e Xeque
“Cheque” é o documento por meio do qual o titular de uma conta-corrente emite ordem para o banco pagar ou transmitir certa quantia a favor de uma pessoa. Já “xeque”, pode se referir ao chefe muçulmano de um território e também a um acontecimento que representa ameaça; situação perigosa.

Veja a continuação: Casos de homonímia (3).

Casos de homonímia (1)

São chamadas de homônimas as palavras idênticas na escrita e/ou na pronúncia, mas que têm significados diferentes. Os homônimos de grafia idêntica são chamados de homógrafos, e os de pronúncia idêntica, homófonos. Publicaremos aqui, a partir de hoje, casos de homônimos homófonos – pronúncia idêntica e grafia muito semelhante.

1. Acender e Ascender
A primeira acepção de “acender” no “Houaiss” é atear fogo. Por derivação de sentido pode significar: irromper, produzir(-se) de repente (“Acendeu-se o conflito entre EUA e Iraque”); pôr em funcionamento (“Acendi a luz do quarto”). Já “ascender” significa mover-se fisicamente para cima, subir; também tem o sentido de elevar-se em dignidade, cargo, etc.
2. Cassa e Caça
De acordo com o “Houaiss”, “cassa” significa tecido fino, transparente, de linho ou de algodão. Essa palavra também pode ser o verbo cassar, que significa anular, conjugado na 3ª pessoa do singular. Já “caça”, é o substantivo do verbo caçar, também pode ser o objeto da caça.

Vej…

Este, esse e aquele

1. Com relação ao discurso, usamos “este” para o que vai ser mencionado. Ex.: Este é um verso de Fernando Pessoa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Para o que se mencionou antes usamos “esse”. Ex.: Ela ganhou R$ 10 mil e doou essa quantia à entidade. Entre dois ou três fatos citados, usamos “aquele” para o primeiro que foi citado, “esse” para o do meio e “este” para o último. Ex.: Algumas das maiores cidades do mundo são Tóquio, Seul e São Paulo; esta fica no Brasil, essa, na Coréia do Norte e aquela, no Japão.

2. Quanto ao lugar, usamos “este” quando se refere ao espaço próximo de quem fala. Já “esse”, usamos quando se refere ao espaço próximo de quem ouve. Por fim, usamos “aquele” quando se refere a um espaço afastado de quem fala e de quem ouve.

3. Com relação ao tempo, usamos “este” para um ano ou um mês em curso, para o dia de hoje, portanto, para o tempo presente. Já “esse”, usamos para fazer referência a um passado ou futuro próximos e “aquele” para um passado distante.

'Re-uso', 'Reuso' ou 'Reúso'?

A terceira forma é a correta. Não tem hífen, mas o acento se faz necessário para que a leitura seja feita corretamente. Explicando melhor: “u” é a sílaba tônica (“re-ú-so”). Se não fosse acentuado, para marcar o hiato, a leitura tenderia a ser “reu-so”, como um ditongo – teria a mesma leitura de “deusa” (“deu-sa”). Reúso significa uso repetido, novo uso, reutilização. Tem sido empregada em relação a recursos hídricos – reúso da água.

'Meu bebê' ou 'Minha bebê'?

As duas formas estão corretas. “Bebê” é um substantivo de dois gêneros. Isso significa que podem ser usados os artigos masculino e feminino, embora no Brasil esta palavra seja mais comumente empregada no masculino. Este caso é o mesmo de “ídolo”, substativo igualmente comum-de-dois, já comentado por esta coluna.

'Bom dia' ou 'Bom-dia'?

As duas formas estão corretas, mas são usadas de formas diferentes. “Bom dia” é escrito sem hífen quando é um cumprimento. Ex.: “Bom dia, pai” e “Bom dia a todos”. Já “bom-dia” é um substantivo composto e tem o sentido de “um cumprimento”. Como tal, pode ser precedido de artigo ou pronome. Ex.: “O bom-dia dele foi animado” e “Deu-nos aquele bom-dia de sempre”. O mesmo vale para “boa tarde” e “boa noite”.

'Com relação a' ou 'Em relação a'?

As duas formas estão corretas, mas são usadas em diferentes casos. A expressão “com relação a” deve ser usada para introduzir algum assunto. Ex.: “Com relação ao aquecimento global, é preciso tomar medidas para reduzir seus efeitos”. Já “em relação a” introduz a idéia de comparação e geralmente aparece em frases que abordam números. Ex.: “O PIB deste ano aumentou em relação ao de 2006”.

'Voto minerva' ou 'Voto de Minerva'?

A segunda forma é a correta. Minerva era a deusa romana da sabedoria, das artes e das ciências, correspondente à deusa grega Atena. “Voto de Minerva” é o voto decisivo de desempate proferido por Atena quando do julgamento de Orestes, na mitologia. Esse tipo de voto também é conhecido como “voto de qualidade”.

'Ele freou' ou 'Ele freiou'?

A primeira forma é a correta. No pretérito perfeito, os verbos terminados em -ear não apresentam a letra “i” na flexão do verbo em nenhuma pessoa. Veja: freei, freaste, freou, freamos, freastes, frearam. Há outros exemplos de verbos terminados em -ear, como “estrear”, “passear”, “recear”, “basear”. Ex.: “O carro freou bruscamente”; “Passeei com minha amiga”; “Eles recearam não ter ficado por mais tempo na festa”.

'Implantar' ou 'Implementar'?

As duas formas estão corretas, cada uma com seu sentido. “Implantar” significa introduzir, inaugurar, iniciar. Ex.: “O banco implantou uma central de atendimento aos surdos”. Já “implementar” tem por significado pôr em execução, pôr em prática algum plano ou idéia. Ex.: “É preciso implementar um programa de reflorestamento na região”.

'O moral' ou 'A moral'?

As duas formas estão corretas, mas é bom deixar claro que o sentido da palavra moral muda em cada caso. No masculino, “moral” significa estado de espírito, coragem. Ex.: “Elogios sempre elevam o moral dele” e “Ele é um homem de grande moral”. Já no feminino, “moral” refere-se principalmente ao conjunto de valores que norteiam as relações sociais e a conduta dos homens. Ex.: “Defendo a moral e os bons costumes”.

'A sargento' ou 'A sargenta'?

A primeira forma é a correta e a mais usual, mas a segunda não está errada. Existe no português a forma sargenta, mas ela não foi adotada pelas Forças Armadas (optaram por empregar o nome do posto tanto para os homens quanto para as mulheres). Assim, a diferenciação entre masculino e feminino é feita pelo artigo: o sargento, a sargento.

'Colomba pascal' ou 'Colomba pascoal'?

As duas formas estão corretas. O que é referente à Páscoa pode ser chamado pascal ou pacoal, conforme aponta o dicionário “Houaiss”. Por falar em Páscoa, lembramos que o dicionário também registra algumas palavras relacionadas a essa época do ano com letra maiúscula, como Quaresma, Semana Santa, Domingo de Páscoa. Aproveitamos para deixar os votos de uma boa Páscoa a você, leitor.

'Capítulo dois' ou 'Capítulo segundo'?

A segunda forma é a correta. Se o numeral vier depois do substantivo, ele deve ser empregado na forma ordinal (primeiro, segundo etc.) até o décimo e, a partir disso, na forma cardinal (onze, doze etc.). Ex.: Volume II (segundo) e Luís XV (quinze).J á se o numeral vier antes, o ordinal será usado sempre. Ex.: 35º DP (trigésimo quinto).

'O grafite' ou 'A grafite'?

A segunda forma é a correta. O que chamamos de grafite é um bastão de grafita que fica dentro dos lápis ou que se ajusta às lapiseiras. O dicionário “Houaiss” recomenda que se use a forma “grafita” porque esse é o nome da variedade do carbono usada industrialmente para fabricar os lápis. Assim, o correto é “a grafite” justamente porque trata-se da pedra chamada “grafita”, cujo gênero é feminino.

'Baixa autoestima' ou 'Baixa estima'?

A primeira forma é a correta. A palavra é autoestima. Não existe baixa estima (ou baixa-estima). Baixo se opõe a alto (com “l”), por isso a confusão com “auto” (com “u”), já que a pronúncia é a mesma. O prefixo “auto-” tem o sentido de “ele/si próprio” (ex.: ajuda e autoajuda). Ele se une com hífen a palavras iniciadas por vogais e pelas consoantes “h”, “r” e “s”.

(post atualizado conforme a nova ortografia: de auto-estima para autoestima)

'Veredicto' ou 'Veredito'?

As duas formas são corretas e aparecem como sinônimas no Houaiss, em edição recente. Ambas já estão registradas no Volp, da Academia Brasileira de Letras.

Veja aqui a postagem original, de 2007, com as correções:

A primeira forma é a correta. “Veredicto” é uma palavra de origem latina e seu significado ao pé da letra é “verdadeiramente dito”. Segundo o “Houaiss”, “veredicto” é a decisão do júri, ou de qualquer outro tribunal judiciário, acerca de um processo. A palavra “veredito” não existe. Um caso contrário a esse e que gera muita confusão é o da palavra “aficionado”, que é sem o “c”. Portanto, é incorreto dizer “aficcionado”.

(post atualizado em 18/10/2017)

Casos de paronímia (7)

1. “Flagrante” e “fragrante”. “Flagrante” quer dizer o que é visto ou registrado no próprio momento de realização; o que é evidente e não pode ser contestado. Ex.: “Os policiais foram presos em “flagrante”. “Fragrante” significa o que exala bom odor, cheiroso, perfumado, portanto, está associado à fragrância. Ex.: “Comprei rosas fragrantes”.
2. “Área” e “ária”. “Área” é o mesmo que uma extensão mais ou menos limitada de espaço, um território, uma superfície, dentre outros sentidos. Ex.: “O BOM DIA circula em grande área do interior de São Paulo”. Já “ária” é relativo à música e tem como um de seus significados a composição para voz solista que integra uma ópera ou cantata.

'Liquidação' ou 'Liqüidação'?

As duas formas estão corretas. Ocorre trema nos grupos “gue”, “gui”, “que”, “qui” que tenham o “u” pronunciado. Ex.: agüentar, pingüim, seqüestro. Em algumas palavras o trema é facultativo porque há duas pronúncias oficiais. Ex.: liquidação e liqüidação, liquidificador e liqüidificador, antiguidade e antigüidade, sanguíneo e sangüíneo.

'Ar condicionado' ou 'Ar-condicionado'?

As duas formas estão corretas, mas não se aplicam à mesma coisa. Ar condicionado, sem hífen, é o ar resfriado ou aquecido por meio de um aparelho específico, um condicionador de ar. Já o ar-condicionado, com hífen, é o nome do aparelho que resfria ou aquece o ar. Seu plural é ares-
condicionados. Exemplo: “Com o calor, as lojas fazem promoção de ventilador e ar-condicionado”.

Casos de paronímia (6)

1. “Mantilha” e “matilha”. “Mantilha” é um tipo de véu, uma “echarpe que faz parte do traje nacional das espanholas, larga e comprida, de seda ou renda”, que cobre a cabeça e cai sobre os ombros. Já “matilha” é o coletivo de cães e também pode significar o “grupo de submarinos quando atacam em conjunto”. Ex.: “Aquela matilha anda por dois bairros inteiros”.
2. “Delatar” e “dilatar”. O verbo “delatar” significa denunciar alguém ou a si mesmo por algum crime. Ex.: “Ele delatou a quadrilha à polícia”. Já “dilatar” quer dizer “aumentar, pela elevação da temperatura, o volume ou as dimensões de um corpo”. Ex.: “O metal foi dilatado pelo calor”.

'Chegar a' ou 'Chegar em'?

A primeira forma é a correta. O verbo “chegar” rege a preposição a (Cheguei a Santos). Embora seja muito comum, “chegar em” é coloquialismo, portanto, é inadequado na escrita. A única exceção para o uso de “chegar em” é quando há referência a tempo (Chegar em cima da hora).

'O bate boca' ou 'O bate-boca'?

A segunda forma é a correta. O substantivo masculino “bate-boca” é composto de um verbo e um
substantivo. Seu plural é “bate-bocas”. “Bate-boca” não deve ter seu “verbo” conjugado. As formas
“bateu-boca” e “bater-boca”, com hífen, não existem. Escreva “bater boca” e “bateu boca”.

Casos de paronímia (5)

1. “Dispensa” e “despensa”. O único significado de “despensa” é: divisão da casa ou armário em que ficam as provisões alimentares. Já “dispensa” também pode ser usado com esse sentido, segundo o “Houaiss”, mas, além disso, também pode significar: cancelamento de uma obrigação e rescisão do contrato de trabalho.
2. “Empenado” e “empinado”. “Empenado” pode ser o que está adornado com penas ou o que está deformado, torto, algo que empenou. Ex.: “A fantasia mais empenada venceu” e “A porta está empenada há anos”. Já “empinado” é oque está levantado, erguido, emposição reta, ereta. Ex.: “A bicicleta ficou empinada na acrobacia”.

'Se não' ou 'Senão'?

As duas formas estão corretas. Usamos “se não” quando equivaler a “caso não” (haverá jogo se não chover) ou “quando não” (é difícil se não impossível fazer isso). “Senão” é o mesmo que “do contrário” (estude senão não conseguirá a vaga) ou “a não ser” (ninguém senão o político pode dar explicações).

'Forno à lenha' ou 'Forno a lenha'?

A segunda forma é a correta. Relembrando a formação do acento indicativo de crase, é necessária a
presença da preposição “a” e do artigo “a(s)” para que ele se justifique. No caso de locuções de meio ou instrumento, como “a lenha” e “a gás”, não há a presença do artigo, somente da preposição.

Casos de paronímia (4)

1. “Emergir” e “imergir”. De acordo com o “Houaiss”, “emergir” significa trazer ou vir à tona. Ex.: “O escândalo emergiu há cerca de um mês”. Já “imergir” quer dizer entrar ou penetrar em alguma coisa, em algum lugar; adentrar-se; estar imerso; afundar-se. Ex.: “Os guardas florestais imergiram na mata” e “O Titanic imergiu-se no mar”.
2. “Peão” e “pião”. “Peão” é o auxiliar de boiadeiro, o servente de obras, o trabalhador rural. Também é o nome de algumas peças do jogo de xadrez. Ex.: “O fazendeiro contratou um peão dedicado”. Já “pião” é um brinquedo, geralmente de madeira, com ponta metálica, enrolado em um cordão. Ex.: “Os meninos adoram jogar pião”.

'Vale a pena' ou 'Vale à pena'?

A primeira forma é a correta. Relembrando, ocorre crase quando há a fusão do artigo “a(s)” com a preposição “a”. A expressão “vale a pena” quer dizer vale o sacrifício ou merece o esforço. Percebemos então que nela somente está presente o artigo “a”, portanto, não há ocorrência de crase.

Casos de paronímia (3)

1. “Descrição” e “discrição”: “Descrição” significa representação fiel oral ou escrita de algo ou alguém, reprodução. Em literatura, o termo quer dizer representação do aspecto exterior de seres e coisas. Ex.: “Fiz uma descrição da viagem à África”. Já “discrição” é a qualidade do que é discreto, do que não chama a atenção. Ex.: “Aquela senhora veste-se com discrição”.
2. “Absorver” e “absolver”: “Absorver” é o mesmo que fazer desaparecer (algo) por incorporação ou assimilação; embeber, aspirar. Ex.: “O pano absorveu todo o líquido derramado”. “Absolver” é
o ato de inocentar, isentar (alguém) da penalidade que corresponde a uma culpa. Ex.: “O juiz absolveu o réu”.

Casos de paronímia (2)

1. “Comprimento” e “cumprimento”: “Comprimento” significa medida, extensão, tamanho; a maior dimensão horizontal. Ex.: “A mesa tem dois metros de comprimento”. Já “cumprimento” pode significar uma saudação (verbo “cumprimentar”) e a execução de algo (verbo “cumprir”). Ex.: “Eu cumprimento todas as pessoas” e “O cumprimento dessa tarefa é fácil”.
2. “Eminente” e “iminente”: “Eminente” equivale a alto, elevado, proeminente, sublime, excelente. Ex.: “O escritório fica no prédio eminente daquela região” e “Ele é um eminente advogado”. Já “iminente” caracteriza algo que está a ponto de acontecer. Ex.: “A queda da parede é iminente”.

'Botija' ou 'Butija'?

A primeira forma é a correta. “Botija” não é uma palavra muito utilizada no cotidiano, a não ser na famosa e difundida expressão “pegar com a boca na botija”. Nesse caso, significa um vasilhame (de barro ou metal) em forma de garrafa cilíndrica ou bojuda, de gargalo fino e curto e que geralmente tem asa.

'Perca' ou 'Perda'?

As duas formas estão certas, mas têm diferenças no uso. “Perda” é um substantivo que quer dizer privação de algo (“perda da casa”, “perda de tempo”). Já “perca” é a forma do verbo perder flexionada nos modos subjuntivo e imperativo (“você quer que eu perca”, “você quer que ele perca”, “não perca essa chance”).

Casos de paronímia (1)

São chamadas de parônimas as palavras muito semelhantes na escrita e na pronúncia, mas que têm significados diferentes. A lista é grande, por isso devemos ter atenção na hora de escrevê-las e saber seu significado, a fim de não incorrermos em erro. Publicaremos aqui, a partir de hoje, sempre aos domingos, casos de paronímia.

1. “Mandado” e “mandato”: de acordo com o “Houaiss”, um dos sentidos de “mandado” é “ordem escrita emitida por autoridade pública”. Ex.: “Mandado de busca e apreensão”. O emprego mais
comum da palavra “mandato” é com o sentido de “período de exercício de um cargo eleitoral”. Ex.: “O prefeito está no meio do mandato”.
2. “Ratificar” e “retificar”: “ratificar” significa confirmar, comprovar, reafirmar, validar. Ex.: “O resultado ratificou minha previsão” e “Ela ratificou tudo o que afirmou antes”. Já “retificar” é mais usado com o sentido de corrigir, emendar, portanto, o oposto de “ratificar”. Ex.: “A notícia do jornal foi retificada” e “Ele retificou o endereço”.

'Descriminar' ou 'Discriminar'?

As duas formas estão corretas. “Descriminar” significa descriminalizar, isentar de culpa. Já “discriminar” tem os sentidos de distinguir, discernir; classificar, listar; formar grupo à parte por alguma característica; e tratar mal ou de modo desigual. Não confunda a grafia dos dois verbos.

'Juro' ou 'Juros'?

As duas formas estão corretas. “Juros” é o plural de “juro”, sendo assim, o artigo, os adjetivos e verbos que acompanharem essa palavra devem concordar em número e gênero com ela. Exemplos: “Neste mês o juro caiu consideravelmente” e “Os juros estão altos”. Não escreva: “O menor juros”.

'Haver' como verbo impessoal

“Haver” é um verbo complexo da língua portuguesa. Veja como ele gera dúvida: “havia pessoas na sala” ou “haviam pessoas na sala”? Isso porque ele não se comporta como a maioria dos verbos. O sentido em que é empregado determina se ele é ou não impessoal. Vamos entender como isso funciona.

1.Verbo impessoal é o tipo de verbo que não tem sujeito. Não há sujeito com quem concordar. Por isso, ele é sempre conjugado na terceira pessoa do singular. O verbo “haver” é considerado impessoal quando tem o sentido de “existir”, “ocorrer” e “acontecer”. Exemplo: “havia pessoas na sala”.
2. No entanto, é importante ressaltar que os verbos “existir”, “ocorrer” e “acontecer” não possuem essa peculiaridade de ser impessoal como o verbo “haver”. Isso quer dizer que esses verbos têm de ir para o plural quando o contexto da oração exigir. Exemplos: “existiram ações suspeitas”, “ocorreram casos de doença”, “aconteceram muitos shows na minha cidade”.

'Raíz' ou 'Raiz'?

A segunda forma é a correta. Relembrando a regra, são acentuadas as palavras que tenham hiato (duas vogais que pertencem a sílabas diferentes) e que a segunda vogal seja um “i” ou “u” tônico sozinho ou acompanhado de “s”. “Raiz” não tem acento porque o “i” está junto do “z” (“ra-iz”).

'Antes que' ou 'Antes de que'?

A primeira forma é a correta. Não existe “antes de que”. O certo é “antes que”, assim como “depois que” (e não “depois de que”). Exemplo: “Antes que caíssem, consegui segurá-los um a um”. No entanto, vale lembrar que é correto e obrigatório o “de” na forma “apesar de que”.

Que dia é hoje?

Embora seja uma pergunta do cotidiano de todos nós, formular a resposta pode nos deixar com a seguinte dúvida: hoje é 28 ou hoje são 28? Adiantamos, desde já, que as duas formas são corretas, só depende de como entendemos a pergunta e montamos a resposta. Vamos entender como isso funciona.

1. “Hoje são 28”
Essa é a construção preconizada pelos conservadores e corresponde a outra mais desenvolvida: “hoje são (passados) 28 (dias do mês) de janeiro”. Como nessa oração não há sujeito (“hoje” não é sujeito, e sim advérbio), o verbo “ser” concorda como predicado, “28 de janeiro”, que é plural.
2. Hoje é 28
Também está correta essa construção. Nesse caso, está subentendida a expressão “o dia”, por isso se justifica o verbo ser no singular: “hoje é (o dia) 28 de janeiro”. Essa oração equivale a “hoje é o 28º dia do mês de janeiro” – a diferença é que na primeira oração o numeral cardinal (28) substitui o ordinal (28º).
3. Na verdade todo o problema se resume na concordância do verbo “ser”. Em…

'O churro' ou 'O churros'?

A primeira forma é a correta. O plural é o mais conhecido, mas o singular “churro” também existe e é certo. A concordância é feita como a maioria dos substantivos: “o churro” e “os churros”. O mesmo vale para o salgado chamado “rissole”: “o rissole” e “os rissoles” – sempre escrito com “ss”.

'A cerca de' e semelhantes

Há palavras e expressões que só geram dúvida na hora de escrever. Esse é o caso das formas: “a cerca de”, “há cerca de” e “acerca de”. Embora sejam diferentes, na fala não há erro porque todas têm a mesma pronúncia, mas na escrita precisamos saber eleger a forma correta. Vamos entender como isso funciona.

1. “A cerca de” e “cerca de” são locuções que equivalem a “perto de”, “aproximadamente”. Exemplos: “A torcida ficava a cerca de 20 metros dos jogadores” e “Cerca de 200 pessoas estavam presentes”. É importante ressaltar que, por indicar um número ou valor aproximado, “a cerca de” não deve acompanhar um número quebrado.
2. Agora que sabemos que “cerca de” significa aproximadamente, se colocarmos o verbo “haver” antes dessa locução, teremos uma expressão correspondente a “faz aproximadamente”, “desde mais ou menos”. Exemplos: “O ônibus partiu há cerca de 15 minutos” (“faz aproximadamente”) e “A loja está aberta há cerca de seis meses” (“desde mais ou menos”).
3.A locução “acerca de” corre…

'De mais' ou 'Demais'?

As duas formas são certas, mas cada uma em um contexto, pois têm significados diferentes.
“De mais” é uma locução que significa “a mais”, o oposto de “a/de menos” (ex.: Comprei livros de mais.).
Já “demais”, uma palavra só, tem o sentido de “demasiadamente”, “em excesso”, “muito” (ex.: Comi demais.) e também tem o sentido de “os outros” (ex.: Chegaram 20 pessoas; os demais estão atrasados.).

(texto reformulado em 29/11/2011)

'Menas gente' ou 'Menos gente'?

A segunda forma é a correta. Na expressão acima, “menos” é um pronome indefinido que expressa quantidade menor. Essa palavra é invariável, ou seja, não possui variação de gênero e de número. Portanto, a palavra “menas”, apesar de ser muito usada, não existe na língua portuguesa.

Fui eu que fiz

“Foi eu que fiz”, “Fui eu que fiz” ou “Fui eu quem fez”? Esses tipos de construção sempre nos deixam em dúvida nos piores momentos, geralmente na hora da fala. Mas a notícia é boa: duas das três formas estão corretas. Vamos analisar as estruturas uma por uma e entender como isso funciona.

1. Comecemos pela forma que está incorreta: “Foi eu que fiz”. O erro está na concordância do verbo “ser” porque está conjugado na terceira pessoa, quando deveria estar na primeira pessoa, concordando com “eu”.
2. Agora que já sabemos que o início será sempre “fui eu”, temos de escolher entre dois pronomes: “que” ou “quem”.
3. Em “fui eu que fiz”, o “que” retoma o sujeito da primeira oração (“eu”), portanto, a concordância do verbo “fazer” também deve ser na primeira pessoa (“eu fiz” – “que fiz”). No caso de plural, teremos “fomos nós que fizemos”.
4. Já em “fui eu quem fez”, temos o pronome “quem”, que é da terceira pessoa do singular, portanto, o verbo também deve estar conjugado na terceira pessoa: “qu…

'Torácica' ou 'Toráxica'?

A primeira forma é a correta. Tórax é escrito com “x”, mas o adjetivo “torácico” é com “c”. O mesmo ocorre com as palavras terminadas em “z” (feliz, voraz, veloz) cujo som é de “s”. Para manter esse som de “s”, as palavras derivadas são escritas com “c”: felicidade, voracidade, velocidade.

'Descriminar' ou 'Discriminar'?

As duas formas estão corretas. “Descriminar” significa descriminalizar, isentar de culpa. Já “discriminar” tem os sentidos de distinguir, discernir; classificar, listar; formar grupo à parte por alguma característica; e tratar mal ou de modo desigual. Não confunda a grafia dos dois verbos.

'Ter que' e 'Ter de'

A língua portuguesa nos reserva muitas surpresas e curiosidades, principalmente quando estudamos sua evolução. Um exemplo disso é o nosso tema de hoje, uma dúvida muito comum. Qual frase está correta: “o local teve que ser evacuado” ou “o local teve de ser evacuado”? Vamos entender como isso funciona.

1. Os gramáticos conservadores admitem apenas a forma “ter de” como correta para expressar uma obrigação, uma necessidade. Exemplos: “temos de comprar o remédio”, “tenho de escovar os dentes”, “tive de pagar a dívida”.
2. Já “ter que” seria usado quando se subentende algo antes do “que” (“ter coisas que”). Exemplos: “Ela tem muito que fazer”, isto é, “Ela tem muitas coisas que fazer”; “Tenho muito que aprender”, isto é, “Tenho muitas coisas que aprender”.
3. Ao longo do tempo, o “que” passou a ser usado também em contextos de obrigatoriedade, no lugar do “de”. Por conta dessa evolução, atualmente são aceitas as duas formas como corretas, no entanto, o que se observa é que a forma “ter que” …

'Estar em férias' ou 'Estar de férias'?

A primeira forma é a correta. Assim como estamos “no” mês de janeiro, os estudantes que não estão “em” recuperação estão “em” férias, isto é, “no” período de férias, por isso a preposição “em” e não a “de”. Com os verbos “entrar” e “sair” usamos “de” (“entrei de férias” / “saí de férias”).