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Mostrando postagens de Agosto, 2008

Apunhalada ou punhalada?

As duas palavras são corretas.
Apunhalado é o adjetivo que veio do particípio do verbo apunhalar. Significa aquele que foi ferido ou morto com punhal. No sentido figurado, magoado, ofendido.
Já punhalada veio do substantivo punhal. Significa o ferimento feito com punhal. No sentido figurado, golpe moral profundo, traição, ingratidão ou decepção.

Tinta óleo ou tinta a óleo?

A segunda forma é a correta. Como temos dois “as” seguidos em “tinta a óleo”, na pronúncia fica a sensação de que há só um “a”. Da fala até a escrita sem o “a” que é preposição, o caminho é curto. E errado. Dois substantivos não são escritos lado a lado desta forma em português. Ou se tem uma palavra composta (tinta-óleo) ou óleo é adjetivo. E não é o caso nem de um nem de outro. A tinta é à base de óleo.

Hipercorreção

“E o principal, temos em Pequim a delegação melhor preparada (...).”
A frase é do ministro do Esporte, Orlando Silva, e foi publicada na coluna “Ponto de vista” do dia 13.
Ele e muitos de nós, uma hora ou outra, acabamos errando na tentativa de acertar todas. Quem nunca ouviu que “não existe ‘mais bem’, o correto é ‘melhor’”?
Resultado: preocupados em não errar, saímos corrigindo tudo o que é “mais bem” por “melhor”, até aqueles corretíssimos casos de “mais bem”. Isso se chama hipercorreção.
Basicamente, é corrigir o que não está errado. Pela regra, quando os advérbios “bem” e “mal” vêm antes de um particípio, eles não se contraem com o “mais”. Assim, o certo é “delegação mais bem preparada”. Hoje já se admite na língua falada o uso de “melhor” em construções como essa do ministro. Na escrita culta, ainda é erro.
Um caso mais comum de hipercorreção acontece com quem aprende que o correto é “velha”, e não “véia”, e passa a falar também “telha de aranha” e “arelha de pralha”.

Decorrente ou recorrente?

As duas palavras são corretas, mas seus significados são bem distintos. Decorrente é o que passa, o que é conseqüente. Exemplo: O valor do seguro do carro é decorrente de um cálculo estatístico. Já recorrente é o que torna a aparecer ou a acontecer. Exemplo: A segurança é um tema recorrente nas campanhas eleitorais.

Nada a ver, haver ou à ver?

A primeira forma é a correta. “Nada a ver” é uma expressão dita quando não se vê relação entre uma coisa e outra, por isso o verbo “ver”, e não o “haver”. Exemplo: Não tive nada a ver com o fato. A crase não se justifica nesse caso porque antes de verbos não há artigo definido (elemento essencial da crase). Em tempo: o “que” às vezes substitui o “a”. Exemplo: Isso não tem nada que ver comigo.

A despeito de

“A despeito de mim mesmo, entro na onda da alegria eufórica das rodas sociais, dos embalos descolados da juventude em clima de aqui e agora (...).”
A frase causa um estranhamento: “a despeito de” usado no sentido de “a respeito de”. Não há como significar outra coisa muito diferente de “a respeito de”. Muito menos o real sentido de “a despeito de”: apesar de, não obstante.
O dicionário “Houaiss” registra que despeito é o “ressentimento produzido por desconsideração, desfeita, humilhação ou ofensa”. Também pode significar desgosto, decepção, pesar e até indignação, raiva, inveja e ciúme.
Já a locução “a despeito de” significa “apesar de”, como já dito. Essas duas locuções dão uma idéia oposta àquela expressa na outra parte do enunciado, contrariando uma provável expectativa. Veja um uso correto: “A despeito da crise mundial da economia, os investimentos no mercado brasileiro continuarão em um patamar alto”.