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Embaixo e em baixo

Pensar por analogia nos ajuda a esclarecer dúvidas na hora de escrever. Mas nem sempre. É o que acontece com “embaixo” e “em baixo”. Se pensarmos na grafia de “em cima” e escrevermos “em baixo”, erraremos. Neste caso, a incoerência de grafia torna-se uma armadilha. Vamos entender como isso funciona.

1. A incoerência está no fato de um advérbio ser escrito junto e outro, separado. Para referir-se a algo que está situado em um plano ou ponto inferior, escrevemos “embaixo” (junto): “a bola foi parar embaixo do carro”. E se queremos dizer que algo se encontra em uma parte mais elevada, usamos duas palavras: “em cima” (“as frutas estão em cima da mesa”).

2. Escrevemos “em baixo” quando “baixo” for um adjetivo, uma palavra autônoma, portanto, separada de “em”, que funciona como preposição. Exemplo: “Ela falou em baixo tom”. Sendo um adjetivo, essa palavra pode se flexionar: “O avião estava em baixa altitude”.

3. A confusão, agora já esclarecida, não acontece somente com esse par. Assim como “embaixo” e “em baixo”, “debaixo” e “de baixo” também deixam algumas pessoas em dúvida.

4. A solução é a mesma. O par é “de cima” e “debaixo”, um separado e o outro junto. Veja os exemplos: “de cima da cama” e “debaixo da cama”. Já em “olhou o vestido de baixo a cima”, o significado é bem diferente, embora na grafia haja pouca diferença.

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