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Crase em 'Sujeito a'

Acidentes e algumas infrações de trânsito são responsáveis por deixar os veículos sujeitos a guincho e/ou a multa. Com o objetivo de advertir as pessoas quanto a essas punições, vemos muitos avisos em portões de garagens: “Não estacione. Sujeito a guincho”. Mas como escrever corretamente? Com crase ou sem crase? Vamos entender como isso funciona.

1. Ocorre crase quando há a fusão da preposição “a” com o artigo “a(s)” e com os pronomes demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)” e “aquilo(s)”.

2. Em “sujeito a multa”, há somente a preposição “a” porque a palavra seguinte foi empregada em sentido genérico, ou seja, não determinada por artigo nem pelos pronomes demonstrativos citados no item 1. Por esse motivo, a crase não se justifica nessa estrutura. Se houvesse referência à multa, isto é, se a palavra “multa” estivesse determinada, haveria crase. Exemplos: “O infrator estará sujeito à multa de R$ 85”; “Fulano ficou sujeito àquela multa da qual fomos avisados”.

3. Na famosa frase “sujeito a guincho” não há crase porque “guincho” é uma palavra masculina. Neste caso, não podemos dizer “sujeito ao guincho”, pois, assim como “sujeito a multa”, não há um complemento que o determine. Se houver referência a alguma especificação, o artigo estará presente. Exemplo: “O carro estava sujeito ao guincho da prefeitura”.

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