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Riscos

É comum ouvirmos e lermos nos meios de comunicação que “Fulano corre risco de morte”. A expressão “risco de vida” foi expulsa da linguagem jornalística há alguns anos, mas ambas são corretas. Elas têm estruturas diferentes, o que gera confusão. Vamos entender como isso funciona.

1. Para entender a diferença entre “risco de vida” e “risco de morte”, vamos pensar na preposição “de”. Em estruturas como essas, o “de” introduz um sujeito ou um complemento. E o significado depende do que ele liga.

2. Em “risco de vida”, o sentido é “a vida está em risco”. “Vida” corresponde ao sujeito. Em “risco de morte”, o sentido é “risco de morrer”. “Morte” exerce a função de complemento.

3. Quem diz que “risco de vida” é errado analisa a expressão com a estrutura de complemento, “risco de viver”, e, claro, não se corre o risco de viver. É erro de análise e significação.

4. O mesmo serve para “perigo de vida”, que aparece nas placas de locais onde “a vida está em perigo” (em torres de alta tensão, por exemplo). É perfeitamente possível colocar placas de “perigo de morte”, mas a outra opção ainda é a eleita.

5. “Risco de vida” e “risco de morte” são corretas, seu uso depende da escolha do falante/escritor, já que elas têm significados muito parecidos mas podem dar nuances diferentes ao texto: risco de vida tem sentido positivo e risco de morte tem sentido negativo.

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