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domingo, 28 de outubro de 2007

‘Hora’ e ‘ora’

“Hora” é substantivo feminino e, de acordo com o dicionário “Houaiss”, significa: o segmento de tempo equivalente a 60 minutos; o momento, o instante preciso em que se percebe ou se passa algo; o tempo, mais ou menos preciso, que se dedica habitualmente a determinada função ou atividade. Exemplos: o exame durou uma hora; percebi na hora que era ele; está na hora de ir.
Já “ora” pode ser advérbio, conjunção ou interjeição.
Como advérbio, tem o sentido de agora, nesta ocasião, neste momento. Ex.: o programa, ora em funcionamento, foi feito por mim.
Como conjunção, significa “seqüência de discurso ou transição de pensamento” e “pois bem, entretanto”. Ex.: se quisesse o doce, pediria, ora, se não pediu, não quer. “Ora” ainda pode ser empregado repetido no início de duas frases, com valor alternativo. Ex.: ora comia, ora bebia.
Já como interjeição exprime impaciência, espanto, dúvida e/ou menosprezo. Ex.: ora, não me incomode mais com esse assunto!

domingo, 21 de outubro de 2007

“Agosto” ou “a gosto”?

Cada um é correto em um contexto. “Agosto” é o oitavo mês do ano civil nos calendários juliano e gregoriano. Já a locução “a gosto” tem três significados: 1) sem cerimônia, à vontade (ex.: fique a gosto); 2) de acordo com o gosto de cada um (ex.: naquela receita, o açúcar é a gosto); e 3) de propósito, intencionalmente, o mesmo que “de gosto”.

“Nenhum” ou “nem um”?

Cada um é correto em um contexto. O pronome indefinido “nenhum” corresponde a “algum” quando posposto ao substantivo. Exemplos: Este trabalho não tem nenhum valor (não tem valor algum); Não tenho nenhuma pressa (não tenho pressa alguma). Já a expressão “nem um” equivale a “um só”, “sequer um”. Exemplo: Não me deram nem um centavo a mais. O “um” é numeral.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Mais bem feito

Oposição básica que aprendemos na escola: bem é antônimo de mal e bom, de mau.
Também fomos ensinados que devemos escrever “melhor” em vez de “mais bem” e “mais bom”. O mesmo vale para “mais mal” e “mais mau”, que vira “pior”. Exemplos: Fui bem na prova de matemática, mas meu irmão foi melhor. Já no teste de português ele foi pior.
Sabendo como chegamos nas palavras “melhor” e “pior”, temos consciência de que não devemos escrever “mais melhor” e “mais pior”. Até aqui tudo bem. Agora, e os casos em que lemos “mais bem feito”, por exemplo? Seria erro? Nem sempre.
Diz a regra que, quando os advérbios “bem” e “mal” vêm antes de um particípio, eles não se contraem com o “mais” que os antecede. Temos, assim, “trabalho mais bem feito”, “peças mais bem colocadas”.
No entanto, hoje já se admite o uso de “melhor” em construções como essas. Ex.: O time melhor colocado recebeu elogios.
Para fazer a melhor escolha, use o ouvido e o bom senso.

domingo, 7 de outubro de 2007

Níver e químio

Algumas palavras da língua portuguesa sofreram redução ao longo do tempo.
Um caso clássico é pneu, redução de pneumático. Pneu consta no dicionário como sinônimo de pneumático e, aqui no Brasil, também dá nome àquela gordura excessiva que se localiza na cintura.
Duas palavrinhas – níver e químio – podem estar no mesmo caminho de pneu, mas ainda nos primeiros passos: amplo uso na fala, mas ainda não registrado pela norma culta.
É fato que níver, redução de aniversário, e químio, redução de quimioterapia, estão na fala dos brasileiros, e já vão um pouco além.

1. Uso
Em blogs, níver é comum como qualquer outra palavra. Químio, apesar de ter uso mais restrito por ser um termo “técnico”, já pode ser lida em textos da imprensa.
2. Ortografia
Níver, palavra paroxítona terminada em “r”, como mártir e revólver, recebe acento na sílaba tônica. Químio, de separação silábica quí-mi-o, tem acento por ser proparoxítona.